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domingo, 15 de fevereiro de 2015

UNIDADE DE POLÍCIA PACIFICADORA: SOLUÇÃO OU UTOPIA?!


***Por Tati Pereira
Em tempos de violência, um assunto que merece destaque na sociedade é a questão das Unidades Policiais Pacificadoras. Baseadas na perspectiva de policiamento comunitário, as UPPs buscam uma aproximação com a sociedade.

Enquanto estratégia de enfrentamento à violência, teoricamente, as UPPs seriam um passo na proteção dos Direitos e no advento de uma polícia cidadã (vide, p.ex, produções científicas do Coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira/ PM-RJ). Entretanto, a polícia é apenas um elo de uma grande corrente que envolve não só a segurança, como também outros ramos da atividade humana que ensejam viver com dignidade. Antes de se falar em segurança, as pessoas tendem a pensar em: hospital, escola, trabalho, família, lazer, etc., principalmente, nos locais mais periféricos, onde tudo chega “tardiamente” (quando chega) ou vai de forma a “mascarar” tristes realidades.

Outrossim, infelizmente, no Brasil, há também uma questão cultural muito arraigada de resistência (e não só resistência à figura policial) na população das favelas. Historicamente, os governos, para isolar (ouso dizer “segregar”) o problema, “assentaram” as ocupações irregulares, subestruturando-as – o que gerou nos moradores uma satisfação inicial (já que eles tinham um lar); mas com o passar do tempo emergiram os problemas sociais e eclodiu a violência financiada pelo tráfico de drogas e afins.

Geralmente, o simples ato de ver uma farda é quase ultrajante para alguns. É muito fácil colocar alguém fardado na favela (representando o Estado e a morrer por ele!). Por detrás da mesa, não dá pra ver, por exemplo, crianças atingindo policiais com copos de vidro; não dá para ouvir as promessas de vida fácil no crime; não dá pra sentir o tato da manipulação juízo moral; não se tem ideia do odor que exala nas entranhas das vielas nada sanitárias; não se esquece (nunca) o semblante de uma mãe que morre no meio da rua por falta de atendimento médico, clamando para que cuidem de seus filhos! Etc, etc, etc. O conhecimento teórico tem de estar aliado ao empírico. Não dá para conhecer a favela sem viver nela!

A polícia comunitária via UPP é possível sim, mas é um trabalho longo (quiçá de gerações) que inclui agir na base (nas escolas, por exemplo), mudança cultural (acabar com preconceitos e paradigmas), etc, etc, etc... dentro de um novo e complexo conceito de “(re)engenharia social” (não a dos hackers!). Ser POLÍCIA COMUNITÁRIA é ser um molde; e um molde deve ser confeccionado sob medida! Porque na favela ou fora dela, o que todos querem é dignidade. Dignidade que lhe permita: ser família, ser amor, ser saudável, ser religião, ser natureza, ser crítico, ser instruído, ser profissional, ser pátria, ser livre, ser justiça ou simplesmente ser HUMANO! Invertam-se os papéis, porque Segurança Pública não é o começo, é o fim (ao menos deveria ser!). Mas nada impede que essa segurança esteja também agregada à base, por isso é que, normalmente, são bem quistos, por exemplo, os modelos de polícia comunitária escolar. É o momento de rever o layout das Unidades Policiais Pacificadoras para melhor traçar as estratégias de enfrentamento à criminalidade. Senão, estaremos fadados a UPPs utópicas!

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